domingo, 21 de junho de 2009

Estou em obras...

Se você não me conhece preciso lhe contar que fui escolhida por Deus para ser uma das pessoas que têm a Bíblia Sagrada como regra de fé e que aceitou Jesus como seu único Senhor e Salvador. Essa definição de mim pode levá-lo a crer que eu deveria ser uma pessoa no mínimo muito diferente das demais em bondade, misericórdia e outros dons... Para desfazer logo o engano, devo dizer que estou "em obras". Eu me entreguei ao meu Senhor, mas ainda sou barro nas mãos do oleiro, que a todo momento precisa ser quebrado e de novo colocado na roda para ser refeito. Quando recebi o chamado de Deus, relutei. Eu me conhecia bem e, por isso entendia que jamais poderia ter as qualidades que um adorador de Jesus precisa ter. Quando pregaram para mim Gênesis 22, que narra a fé de Abraão, o homem que se dispôs a sacrificar o seu único filho, eu quase que desisti de vez. Mas, um dia, um pregador foi usado para me falar sobre esse mesmo Abraão. Discorrendo sobre a história do patriarca escolhido para ser o pai de muitas nações eu descobri que ele tinha muitos dos defeitos que eu e que foi preciso Deus fazer a obra na sua vida para que ele se tornasse um gigante da fé. Deus precisou chamar Abraão duas vezes para ele segui-lo. A primeira vez em Ur dos Caldeus e depois em Padã-Arã. Foi como eu que titubiei... não fui da primeira vez. Depois que resolveu ouvir Deus, Abraão, à primeira necessidade (fome), se desviou da direção de Deus e foi para o Egito. Lá mentiu, entregou a sua mulher ao faraó e ainda tirou proveito disso. Foi preciso Deus intervir e colocá-lo novamente no caminho certo. Então ele tem uma experiência com Deus, fica sabendo que vai ser pai de muitas nações e, novamente, como qualquer um de nós, não sabe esperar pela promessa e atropela tudo tendo um filho com Agar. Enfim... depois de muitos descaminhos, vemos o gigante da fé, dizer a seu filho que Deus proverá para si o cordeiro para o sacrífio... Uma fé tamanha ao ponto de não relutar e perguntar a Deus como fazemos: por que eu? Por que o meu filho? Nesse ponto da história, percebo um novo homem. Não é mais aquele que teve que enterrar o seu pai para seguir a Deus, nem aquele que entregou a sua mulher para matar a sua fome, ou aquele que não soube esperar o filho da promessa. "O herói dessa história não é Abraão, mas a graça de Deus". Esse Deus de Abraão é o mesmo Deus que eu creio. Por isso não posso desistir de mim quando a dúvida assalta o meu coração, quando as necessidades, dores e medos me fazem ter atitudes diferentes do diz a Palavra do Senhor. A minha fé, a fé cristã, se sustenta na graça de Deus e não no meu esforço. Dentro de mim há uma luta constante onde o bem que quero não faço e o mal que não quero esse faço. Eu confesso que Jesus é o meu Senhor e por isso vai me dar vitória sobre os meus pecados que me acorrentam, sobre meus problemas de caráter, vai me transformar a sua imagem e semelhança. Não há nada que eu possa fazer por Deus. Mas, Deus fará tudo por mim. Não é por acaso que Deus fará isso. É para eu me tornar como Abraão: obedecê-lo sem titubeio. Eu acredito em um Deus que pode me mudar. Ele assumiu o controle de minha vida porque reconheceu a minha impossiblidade. A sua graça vai me carregar e vai fazer de mim uma gigante onde antes havia uma covarde. Estou em obras... o Senhor está agindo em mim. Se eu cair, o Senhor vai dizer: levanta vai para a terra que eu vou te mostrar!

2 comentários:

Regina Colombaroli disse...

Ana, achei interessantíssimo o termo "estar em obras". Acredito muito nisso... Nós temos a oportunidade de nos melhorarmos o tempo todo, mas quase nunca nos damos conta disso.Como dizia Sant Exuperry "Ao entardecer o mundo deveria estar sempre um pouco melhor porque eu passei por ele".Em outro momento, me fala mais sobre isso ?

Ilma - TICS disse...

Ana,
Me emocionei com seu comentário, 'ser barro nas mãos do oleiro. Também estou "em obras', mas as vezes me esqueço disso, como hoje quando estava me culpando demais por falhas cometidas. Nos esquecemos que não somos perfeitos e que é preciso humildade para deixar o Oleiro nos moldar e fazer-nos crescer na fé e nas atitudes. Obrigada por compartilhar conosco o que de algum modo já sabemos, mas precisamos sempre nos relembrar.
abraços
Ilma

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